Perícia médica do INSS e perícia médica judicial: por que existem duas perícias?

Perícia médica do INSS e perícia médica judicial: por que existem duas perícias?
Uma das dúvidas que mais ouvimos aqui no escritório é:
“Doutor, por que preciso fazer outra perícia? Eu já fiz a perícia do INSS!”
Essa dúvida é muito comum.
E a resposta é simples: a perícia do INSS e a perícia judicial são diferentes. Cada uma tem uma função.
Neste artigo, vamos explicar de forma fácil para que você entenda por que, em alguns casos, é necessário passar por duas perícias.
A primeira perícia é feita pelo INSS
Quando você pede um benefício por incapacidade, como auxílio-doença, aposentadoria por incapacidade permanente ou auxílio-acidente, o INSS marca uma perícia médica.
Nessa consulta, um médico do próprio INSS analisa seus documentos, faz perguntas e verifica se você tem direito ao benefício.
Depois disso, o INSS toma uma decisão.
Ela pode ser:
- Aprovar o benefício;
- Negar o benefício;
- Ou conceder um benefício diferente do que você pediu.
Mas e se o INSS negar?
Se você acredita que a decisão foi injusta, é possível entrar com uma ação na Justiça.
É nesse momento que aparece a segunda perícia.
A perícia judicial não é feita pelo INSS
Quando o processo vai para a Justiça, o juiz precisa de uma opinião técnica para decidir quem está certo.
Por isso, ele nomeia um médico perito da Justiça.
Esse profissional não trabalha para o INSS nem para o segurado.
O trabalho dele é analisar o caso de forma imparcial e responder às perguntas feitas pelo juiz.
Então por que fazer outra perícia?
Porque o juiz não é médico.
Ele precisa de um laudo técnico para entender se realmente existe incapacidade, sequela ou limitação que dê direito ao benefício.
Mesmo que você já tenha passado pela perícia do INSS, o juiz precisa de uma avaliação própria para tomar sua decisão.
É como uma segunda opinião, feita por outro profissional.
A perícia judicial pode ter um resultado diferente?
Sim.
Isso acontece com bastante frequência.
O médico do INSS pode entender que a pessoa está apta para trabalhar.
Já o médico da Justiça pode concluir que ela realmente possui uma incapacidade ou uma sequela que dá direito ao benefício.
Também pode acontecer o contrário.
Por isso, cada perícia é independente.
Qual perícia vale mais?
Cada uma vale dentro do seu momento.
- A perícia do INSS serve para o INSS decidir se concede ou não o benefício administrativamente.
- A perícia judicial ajuda o juiz a decidir o processo.
Quando o caso está na Justiça, o laudo da perícia judicial costuma ter um peso muito importante na decisão final.
Preciso levar documentos na perícia judicial?
Sim.
Leve tudo o que puder comprovar sua situação, como:
- Laudos médicos;
- Exames;
- Receitas;
- Atestados;
- Relatórios dos médicos que fazem seu acompanhamento.
Quanto mais documentos atualizados você apresentar, melhor será a análise do perito.
O médico da Justiça vai olhar apenas os exames?
Não.
Ele normalmente faz perguntas sobre sua saúde, seu trabalho, sua rotina e também realiza um exame físico, quando necessário.
Além disso, analisa toda a documentação apresentada no processo.
Posso faltar na perícia judicial?
Não é recomendado.
Se você faltar sem uma justificativa aceita pelo juiz, isso pode prejudicar muito o seu processo e até causar o seu encerramento.
Se surgir algum problema e você realmente não puder comparecer, avise seu advogado imediatamente.

Resumindo
A existência de duas perícias não significa que uma delas está errada.
Cada uma acontece em um momento diferente e tem um objetivo diferente.
A perícia do INSS serve para que o próprio INSS decida sobre o pedido.
A perícia judicial serve para ajudar o juiz a decidir o processo quando o caso vai para a Justiça.
Por isso, é normal que uma pessoa passe pelas duas avaliações.
Ficou com dúvidas?
Se o seu benefício foi negado pelo INSS ou você foi chamado para uma perícia judicial e não sabe o que esperar, procure orientação jurídica.
Cada caso é diferente, e entender como funciona essa etapa pode fazer toda a diferença para defender seus direitos.

